segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A (pobre) realidade continua...

  “Nossos narizes atentamente inalam a miséria. (Che, em Valparaíso, durante a sua viagem pela América Latina)”

   Analisando bem a nossa situação atual, e a de mais ou menos cinqüenta anos atrás, percebemos claramente, que, infelizmente, continuamos inalando diária e atentamente a miséria de nosso próprio povo.
  O médico revolucionário também era ‘CHE, O IMPLACÁVEL’ o anjo vingador de Cuba e seu maior comissário político; que exigia o impossível daqueles que o cercavam, mas colocava-se, ele próprio, acima das criticas, porque seguia à risca seus próprios preceitos severos. 

domingo, 29 de janeiro de 2012

  O socialismo não é uma sociedade beneficente, não é um regime utópico, baseado na bondade do homem como homem. O socialismo é um regime que se chega, historicamente, e que tem por base a socialização dos bens fundamentais de produção e a distribuição eqüitativa de todas as riquezas da sociedade, numa situação de produção social. Isto é, a produção criada pelo capitalismo: as grandes fábricas, a grande pecuária capitalista, a grande agricultura capitalista, os locais onde o trabalho humano era feito em comunidade, em sociedade; mas naquela época o aproveitamento do fruto do trabalho era feito pelos capitalistas individualmente, pela classe explorada, pelos proprietários jurídicos dos bens de produção.


                                                                                                     Ernesto Rafael Guevara Lynch De La Serna.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

''Sabe quando aquela dor enorme atinge o teu peito, tu sente uma vontade incontrolável de chorar, berrar, espernear, esmurrar, chutar e tudo mais, porém alguma coisa lá no fundo do teu inconsciente te impede que isso aconteça. Isso se chama amor próprio, e muitas vezes, ele é o teu melhor amigo, porque é ele que te ensina de verdade por quem vale a pena sofrer e chorar, viver e sonhar, entretecer-se e esquecer de viver.''

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O Socialismo E O Homem Novo Em Cuba (Parte II)

  A nova sociedade em formação tem que competir muito duramente com o passado. Isso se faz sentir não só na consciência individual, na que pesam os resíduos de uma educação sistematicamente orientada para o isolamento do indivíduo, mas também pelo caráter mesmo desse período de transição onde persistem as relações mercantilistas. A mercadoria é a célula econômica da sociedade capitalista; enquanto existirem seus efeitos, estes se farão sentir na organização da produção e, por fim, na consciência.
  No esquema de Marx, se concebia o período de transição como resultado da transformação explosiva do sistema capitalista destroçado por suas contradições. Posteriormente a realidade mostrou como se separam da árvore imperialista alguns desses países que constituem os ramos débeis, fenômeno previsto por Lênin.
  Nestes, o capitalismo se desenvolveu o suficiente para que seus efeitos se fizessem sentir, de um modo ou de outro, sobre o povo, mas não são suas próprias contradições as que, esgotadas todas as possibilidades fazem o sistema explodir. A luta da libertação contra um opressor externo, am miséria provocada por acidentes estranhos, como a guerra, cujas conseqüências fazem as classes privilegiadas recaírem sobre os explorados, os movimentos de libertação destinados a derrubar regimes neocoloniais, são os fatores habituais de desencadeamento do processo. A ação consciente faz o resto. Nesses países ainda não se produziu uma educação completa para o trabalho social e a riqueza esta longe do alcance das massas mediante o simples processo de apropriação. O subdesenvolvido por um lado e a habitual fuga de capitais para países “civilizados” por outro, tornam impossível uma mudança rápida e sem sacrifícios. Resta um grande caminho a percorrer na construção da base da economia, e é muito grande a tentação de seguir os trilhados caminhos de interesse material, como alavancava a impulsora de um desenvolvimento acelerado.
  Corre-se o risco de que as árvores impeçam-nos de ver o bosque. Perseguindo a quimera de realizar o socialismo com as desdentadas armas que nos deixa o capitalismo (a mercadoria como célula econômica, a rentabilidade, o endereço material individual como alavancava etc.), pode-se chegar a um beco sem saída. Para construir o comunismo, simultaneamente com a base material, é preciso construir o homem novo.

                                                                                                  Ernesto Rafael Lynch Guevara De La Serna

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O Socialismo E O Homem Novo Em Cuba (Parte I)

  Chegou a etapa da luta guerrilheira. Foi esta vanguarda o agente catalisador que criou as condições subjetivas necessárias para a vitória. Também nela, no marco do processo de proletarização de nosso pensamento da revolução que se operava em nossos hábitos e em nossas mentes, o indivíduo foi o fator fundamental.
  Foi a primeira época heróica, na qual se disputava para se conseguir um cargo de maior responsabilidade, de maior perigo, sem outra satisfação que o cumprimento do dever. Em nosso trabalho de educação revolucionária, voltamos detalhadamente a este assunto elucidativo. Na atitude de nossos combatentes se vislumbrava o homem do futuro.
  Em outras oportunidades de nossa história repetiu-se o fato da entrega total à causa revolucionária. Durante a crise de outubro ou nos dias do furacão “Flora’’, vimos atos de valor e sacrifício excepcionais, realizados por todo um povo. Encontrar a fórmula para perpetuar, na vida cotidiana, essa atitude heróica, é uma de nossas tarefas fundamentais desde o ponto de vista ideológico. Vendo as coisas desde um ponto de vista superficial, poderia parecer que têm razão aqueles que falam da sujeição do indivíduo ao Estado; a massa realiza com entusiasmo e disciplina sem iguais, as tarefas que o governo fixa, sejam de índole econômica, cultural, de defesa, desportiva etc. a iniciativa parte, em geral, de Fidel ou do alto comando da Revolução e é explicada ao povo que a toma como sua.
  Sem dúvida às vezes o Estado se equivoca. Quando isso acontece, nota-se uma diminuição no entusiasmo coletivo, por causa de uma diminuição quantitativa de cada um dos homens que a formam, e o trabalho se paralisa até ficar reduzido a magnitudes insignificantes: é o momento de retificar. Para quem não vive a experiência da Revolução é difícil entender essa estreita unidade dialética existente entre o indivíduo e a massa, onde ambos se inter-relacionam e, por sua vez, a massa, como conjunto de indivíduos, se inter-relaciona com os dirigentes. No capitalismo, pode-se ver alguns fenômenos deste tipo quando aparecem políticos capazes de conseguir mobilização popular, mas em não se tratando de um autêntico movimento social em cujo caso não é lícito falar plenamente de capitalismo o movimento viverá a vida de quem o impulsionou, ou viverá até o fim das ilusões populares, imposto pelo rigor da sociedade capitalista. Nesta, o homem está dirigido por um frio ordenamento que, habitualmente, escapa ao domínio de sua compreensão. O exemplar humano, alienado, tem um cordão umbilical invisível que o liga à sociedade em seu conjunto: a lei do valor. Ela atua em todos os aspectos de sua vida, vai modelando seu caminho e seu destino.
  As leis do capitalismo, invisíveis para as pessoas comuns e cegas, atuam sobre o indivíduo sem que ele perceba. Só vê a amplitude de um horizonte que parece infinito. O prêmio, se avista a distância: o caminho é solitário. Além disso é uma corrida de lobos: somente pode-se vencer sobre o fracasso dos outros.
  Tentarei agora definir o indivíduo, ator desse estranho e apaixonante drama que é a construção do socialismo, em sua dupla existência, de ser único e de membro da comunidade.
  Creio que o mais simples é reconhecer sua qualidade de não-feito, de produto não-acabado. Os vícios do passado se transpõem para o presente na consciência individual e tem-se que se fazer um trabalho contínuo para erradicá-los. O processo é duplo: por um lado atua a sociedade, com sua educação direta e indireta, por outro, o indivíduo se submete a um processo consciente de autoeducação.
                                                                                                                                                                                                            Ernesto Rafael Guevera Lynch De La Serna.   

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Então, me diz a verdade

  Eu ainda tenho que te aturar dizendo que não obedeço, não sei conversar, só penso em mim mesma e o resto que se “exploda’’. Eu escuto, fico calada, finjo que não estou ali no momento, somente para não me irritar, e novamente perder o pouco que ainda me resta.
  Tu dizes que eu tenho muita liberdade, e que não sei aproveitá-la. Que os estudos são tudo na vida, que devo me esforçar para ser alguém, ter uma boa vida, uma boa família, um bom futuro, etc. etc. Mas tu também não estas fazendo nada para me ajudar a melhorar, tu não te dispõe a mostrar-me como aproveitar mais todas as coisas que tenho, tudo o que posso aproveitar, tudo o que tenho para viver.
  Tu dizes que devo ser humilde, ajudar a quem precisa, ter compaixão, ser uma pessoa de bem. Mas como ser tudo isso se o que mais vejo é falsidade, soberba, ignorância, pessoas narcisistas, e o principal, tu, que vives roubando as pessoas, que realmente precisam de tudo o que tem, que lutaram por tudo para dar uma vida digna a seus filhos.
  Fora todas as outras coisas terríveis que tu fazes, e manda-me fazer totalmente o contrário, para me tornar uma pessoa com ética e moral dignas de um verdadeiro ser humano com consciência.
  Então me diz Brasil, cadê a tua ética, a tua moral, o teu exemplo, o teu papel, a tua educação, a tua importância. Me diz Brasil, que país é esse?