Chegou a etapa da luta guerrilheira. Foi esta vanguarda o agente catalisador que criou as condições subjetivas necessárias para a vitória. Também nela, no marco do processo de proletarização de nosso pensamento da revolução que se operava em nossos hábitos e em nossas mentes, o indivíduo foi o fator fundamental.
Foi a primeira época heróica, na qual se disputava para se conseguir um cargo de maior responsabilidade, de maior perigo, sem outra satisfação que o cumprimento do dever. Em nosso trabalho de educação revolucionária, voltamos detalhadamente a este assunto elucidativo. Na atitude de nossos combatentes se vislumbrava o homem do futuro.
Em outras oportunidades de nossa história repetiu-se o fato da entrega total à causa revolucionária. Durante a crise de outubro ou nos dias do furacão “Flora’’, vimos atos de valor e sacrifício excepcionais, realizados por todo um povo. Encontrar a fórmula para perpetuar, na vida cotidiana, essa atitude heróica, é uma de nossas tarefas fundamentais desde o ponto de vista ideológico. Vendo as coisas desde um ponto de vista superficial, poderia parecer que têm razão aqueles que falam da sujeição do indivíduo ao Estado; a massa realiza com entusiasmo e disciplina sem iguais, as tarefas que o governo fixa, sejam de índole econômica, cultural, de defesa, desportiva etc. a iniciativa parte, em geral, de Fidel ou do alto comando da Revolução e é explicada ao povo que a toma como sua.
Sem dúvida às vezes o Estado se equivoca. Quando isso acontece, nota-se uma diminuição no entusiasmo coletivo, por causa de uma diminuição quantitativa de cada um dos homens que a formam, e o trabalho se paralisa até ficar reduzido a magnitudes insignificantes: é o momento de retificar. Para quem não vive a experiência da Revolução é difícil entender essa estreita unidade dialética existente entre o indivíduo e a massa, onde ambos se inter-relacionam e, por sua vez, a massa, como conjunto de indivíduos, se inter-relaciona com os dirigentes. No capitalismo, pode-se ver alguns fenômenos deste tipo quando aparecem políticos capazes de conseguir mobilização popular, mas em não se tratando de um autêntico movimento social em cujo caso não é lícito falar plenamente de capitalismo o movimento viverá a vida de quem o impulsionou, ou viverá até o fim das ilusões populares, imposto pelo rigor da sociedade capitalista. Nesta, o homem está dirigido por um frio ordenamento que, habitualmente, escapa ao domínio de sua compreensão. O exemplar humano, alienado, tem um cordão umbilical invisível que o liga à sociedade em seu conjunto: a lei do valor. Ela atua em todos os aspectos de sua vida, vai modelando seu caminho e seu destino.
As leis do capitalismo, invisíveis para as pessoas comuns e cegas, atuam sobre o indivíduo sem que ele perceba. Só vê a amplitude de um horizonte que parece infinito. O prêmio, se avista a distância: o caminho é solitário. Além disso é uma corrida de lobos: somente pode-se vencer sobre o fracasso dos outros.
Tentarei agora definir o indivíduo, ator desse estranho e apaixonante drama que é a construção do socialismo, em sua dupla existência, de ser único e de membro da comunidade.
Creio que o mais simples é reconhecer sua qualidade de não-feito, de produto não-acabado. Os vícios do passado se transpõem para o presente na consciência individual e tem-se que se fazer um trabalho contínuo para erradicá-los. O processo é duplo: por um lado atua a sociedade, com sua educação direta e indireta, por outro, o indivíduo se submete a um processo consciente de autoeducação.
Ernesto Rafael Guevera Lynch De La Serna.
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