segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Morte ao Imperialismo

   Ainda deitado em sua cama, Ernesto via o sol refletir por trás das persianas de seu quarto. Já fazia quase uma hora que ele já havia acordado, e permanecia na cama, ao olhar no relógio percebeu que já era quase meio dia, e isso indicava que seu irmão, Eduardo, estava para chegar da escola. Levantou num susto, vestiu-se e foi para a cozinha ver se sua mãe havia deixado comida para os dois filhos, achou um pedaço de lasanha, e a pos a esquentar. Logo que acabou de arrumar a mesa, Eduardo chegou, os dois almoçaram, trocaram algumas poucas palavras, e foram lavar a louça, ao terminar Ernesto levou Eduardo para a casa de sua avó, duas quadras de sua, e voltou.
   Deitou novamente em sua cama, e tentou ler um livro, porém seu pensamento foi desviado por uma lembrança. Reviveu toda a festa de seu amigo, no final de semana anterior. As conversas que teve, o quanto dançou, tudo o que pensou, os olhares que trocou, e nesse instante não pode deixar passar a imagem daquela garota, que dançava como se ninguém olhasse, não se importava com as idiotices que os garotos (bêbados) vinham lhe falar, e era feliz, feliz, por estar ali, se divertindo, no meio de tanta gente desconhecida.
   Lembrou também que essa garota era linda, cabelos castanho-claro, compridos, lisos no comprimento, e com belos cachos nas pontas. Seus olhos eram de cor azul, incontestáveis, simplesmente lindos, nariz e bocas perfeitos, uma garota realmente muito bonita. Notou também que ela se vestia com simplicidade, e possuía um jeito simples e humilde, típico de uma moça de família, que se preze, o que lhe agradou muito.
    Então voltou à sua pacata realidade, e decidiu que iria dar uma volta pela cidade, veria alguns livros, discos, e quem sabe até os compraria. Saiu em direção à rua Borges de Medeiros, e viu que no final desta havia uma aglomeração de gente, gritos, e faixas, chegou mais perto para ver o que acontecia por ali. Foi então que ele a viu, a garota da festa, que não saía de seu pensamento há uma semana. Ela vestia uma camiseta preta, que possuía os dizeres: MORTE AO IMPERIALISMO!
   Ele ficou impressionado, teve de sentar-se no primeiro banco que viu, pois não conseguia acreditar que uma menina tão...Tão perfeita poderia ter atitudes como aquelas. Tudo bem, que ele também concordava que o imperialismo deveria ser deposto, mas ir às ruas protestar já era demais para ele. Tentou manter seus pensamentos serenos, mas não conseguiu, e quando percebeu, estava lá, no meio de todo mundo, gritando, eufórico.
    No final de tudo, após serem retidos pelos policiais, a garota veio conversar com ele, pois sabia que ele era um novato ali no meio. Os dois foram para um café, abafado, cheio de gente, para conversarem, talvez aquele não fosse o lugar mais apropriado para os dois se conhecerem, mas foi o mais viável naquela hora.
    Ernesto descobriu que o nome da moça era Hilda, era filha de pessoas humildes, sua mãe trabalhava de doméstica e seu pai possuía um pequeno mercado, o qual ela ficava encarregada de cuidar nos momentos que não estava estudando. Hilda tinha a mesma idade que Ernesto, 22 anos, e cursava faculdade de Direitos Humanos, e se formaria no próximo semestre. Os dois ficaram conversando por mais de duas horas, até que Ernesto percebeu que tinha de ir pra casa esperar sua mãe que voltaria de seu trabalho em poucos minutos, despediu-se de Hilda e saiu. No caminho só sabia pensar nela, e no quão fantástica ela era.
     Ernesto só conseguia pensar em Hilda, e então decidiu que ligaria para ela na manhã seguinte, já que ela havia deixado o número do pequeno mercado de seu pai gravado em um pequeno pedaço de papel para Ernesto. E assim foi feito no dia seguinte, e os dois se encontraram, conversaram, e tudo mais,
    O mesmo episódio se repetiu no próximo dia, e no próximo também, ou melhor, se repetiu por vários dias.
   Então, por intermédio de Hilda, Ernesto decidiu que também faria faculdade, só que ele escolheu Direito. Começou a estudar três meses após a formatura de Hilda, se envolveu cada vez mais com os movimentos dos quais Hilda participava, e fazia de tudo para estar o máximo de tempo ao seu lado.
   Tudo corria bem, até que um dia, Ernesto olhava tv tranqüilo, esperando, ansioso até o relógio marcar 16:30, hora que veria sua querida Hilda, trocava de canal, buscando algo interessante para olhar, para no canal em que está passando o jornal informativo, quando de repente, viu um informe sobre sua cidade, mais precisamente sobre um grupo de revoltos tentou combater o governo. No informe, mostrava um grupo de cinco jovens, não desconhecidos para Ernesto, que segundo o jornal haviam tentado depor o governo, ou algo parecido, após todo o informe, mostraram as fotos dos detentos, Ernesto percebeu que muitos deles participavam do mesmo movimento que Hilda. Ernesto ficou boquiaberto, não acreditava naquilo, e o que o deixou mais desolado, foi ver a foto de Hilda, junto dos outros, sim, ela havia sido presa, junto dos outros.
   Ernesto saiu desesperado, atrás de Hilda, chegou onde queria, e descobriu que já era tarde, eles haviam sido mandados para uma espécie de reformatório perto da ilha da Jamaica.
    Mas toda a distância não foi suficiente para impedir Ernesto de voltar a ver sua amada Hilda.  

sábado, 29 de outubro de 2011

Porque é tão difícil?

   Era algo inexplicável, que a cada dia só aumentava. Cada segundo que passei ao seu lado, ficava eternizado, aqui, dentro da minha mente, e, quando somados, resultavam em poucas horas, elas, com certeza, foram mais significativas, importantes e especiais da minha vida.
   O simples fato, de ouvir alguém dizer o teu nome, em meu rosto, já surgia, um humilde sorriso sincero. Ao te ver, meu coração, simplesmente disparava, meus olhos adquiriam um brilho incontestável, e quando estava ao seu lado, nada mais importava e existia no mundo, além de nós dois.
   A primeira vez que conversei contigo, tudo o que pensei de ti, todas as tuas atitudes que julguei sem motivo, o teu sorriso, teus olhos, teu jeito, teus vícios, tudo isso vive dentro de mim, como se nos conhecêssemos hoje, e que, a partir disso, me apaguei a cada dia mais em ti. Nossa primeira viagem, as brincadeiras, os momentos de descontração, a chuva atrapalhando nossas caminhadas, o futebol no meio do barro, os tombos, os sorrisos, e a volta, nós dois, abraçados, tua cabeça encostada em meu colo, eu podia sentir sua respiração quente que pairava e logo após ia esvaindo-se vagarosamente pelo ar. A maciez de tua mão envolvendo a minha cintura.
   Eu, ingênua, não sabia ainda se nossa história teria um final feliz, ou não. Esperaria o tempo que fosse preciso para te ver voltar, e novamente, poder ver teu lindo sorriso, sentir teu confortante abraço. Hoje vejo, que nada mais vai voltar, que tudo foi só mais uma decepção, e que tudo o que tu me dizia não passava de frases decoradas, de que nem mesmo uma pessoa apaixonada e sem medo é capaz de escapar das piores decepções da vida.

Para Sempre!

   Sentada na varanda, vendo este belo crepúsculo, começo a produzir um filme em minha mente. Mas não um filme de suspense, comédia, terror e muito menos de romance, exceto para mim.
    Lembro dos dias e noite de guerra, ideologias e viagens alucinantes, das quais ERNESTO RAFAEL LYNCH GUEVARA DE LA SERNA participou. Fico imaginando sua maravilhosa vida nos dias de hoje, e nesse momento, volto à realidade. Pois ele não agüentaria viver num mundo com essas condições.
    Já que as pessoas acreditam tanto em CHE, porque não seguem seus passos? E ao invés disso se desviam para o mundo alienado? Se os jovens usam suas frases em redes sociais, porque não as colocam em prática?
    Logo percebo que as pessoas dizem que seguem conceitos de CHE GUEVARA, para ganharem créditos com professores e pessoas que acreditam que buscando, lutando e agindo como CHE, um dia, encontrarão um mundo melhor.
     CHE não merece esse tipo de mérito, sinceramente, ele merece mais que jovens e até mesmo adultos fúteis e idiotas, o idolatrando sem, ao menos saber, metade de sua história, ele merece revolucionários de verdade lutando junto a seu nome.
         Parabéns CHE – 14/06/1928